sábado, 7 de fevereiro de 2009

influxo

Cavou dentro de si a densa camada de convenções sutilmente impingidas pelos valores culturais, os quais já estavam montados e determinados pelas gerações antecedentes. Foi, de súbito mesmo, que lhe assaltou tal necessidade de arremeter-se pela vereda introspectiva, em busca do significado mais puro da verdade. Como critério axial, elegeu o parâmetro racional niilista e permitiu-se ao mergulho meditativo. Sentiu que, à medida que se aprofundava no abismo aberto pela força de seu ceticismo, visitava noções que agora ganhavam a tônica de preconceitos convulsivos, desfalecidos; enfim, de adereços inúteis. Percebia, com esse exercício, a vulnerabilidade dos signos morais diante de uma estranha e fluente maneira de poder entender tudo. O conjunto de crenças e fórmulas convencionadas adquiria gradualmente um jaez de nulidade, cedendo um âmbito lacunoso com potencial para sorver nódulos conceptivos. Aquela visão resultante da desconstrução redimensionava as raias de sua própria fé. A decorrência subseqüente ao empenho soliturno lhe foi servida de uma conclusão audaciosa: a verdade é imaginária.
[j. guedes]

13 comentários:

dani.ella disse...

eu diria que a verdade é articulada e moldada conforme a necessidade que se tem de torna-la verdadeira. O siginificado mais puro da verdade?! Existe significado para o que é convencionado?! Acho que cada um constrói a verdade que lhe satisfaça, e pronto, vive-se acreditando nela.

Análise profunda eim, moço?!
=)

joao p. guedes disse...

Olá, Dani.ella,

"Tornar uma verdade verdadeira" não seria redundância? Acho que essa expressão, inclusive, a que se confere um certo grau de sarcasmo, decorre, possivelmente, para opor-se ao fato de nos acostumarmos com determinadas situações em que admitimos eventuais mentiras para nos gerar um certo conforto, um consolo, etc. Mas, ainda que fosse assim, no mais reservado íntimo, latejaria em si e por si o conceito de verdade, ostensivo de independência de acessórios terminológicos que reforcem sua própria natureza enquanto tal.

Afinal, a verdade é factivelmente criada ou se manifesta no campo real, dentro do qual imana o ser, digamos, "cognossensitivo"?

Agradeço seu comentário. Apareça!

Att.,
[João P. Guedes].

Fah disse...

Alguém ainda duvida da verdade que meu coração é manifestamente teu?

ludmila disse...

(F)

punhado de beijos,

binhobrill disse...

A verdade anda sempre escondida... E olha que vc procurou fundo.

Deco disse...

Binhobrill, me desculpe...mas o que vc afirmou não pode ser verdade, pelo próprio sentido de sua premissa... afinal, se a "verdade anda sempre escondida", então, é um contra-senso exibi-la nesses termos... a não ser que vc tenha em perspectiva outro conceito de esconderijo capaz de evitar esse paradoxo...

joao p. guedes disse...

Caro Deco,

Como é possível saber se a cognoscência relativa à idéia de verdade é livre ou não de paradoxo? No meu entendimento, a afirmação de Binhobrill reflete apenas sobre o plano de evidenciação a que se expõe a verdade, sem, no entanto, ter a intenção de driblar paradoxos como uma equação direcionada a validar a coerência adestrada pelo modelo lógico-racional-maniqueísta do pensamento ocidental.

...Ou não...

quem foi que disse...

o doutor agora deu pra inventar verdades. quanta chorumelaaahh!! vai limpar as calças, rapaaaaz! kkkkkkkkk!!

Regina disse...

Quem foi que disse,

Não perca seu tempo lendo chorumela e, principalmente, deixando recado para o que não te interessa. Sugiro que vá procurar o que fazer.

binhobrill disse...

conceito prende tanto quanto preconceito.

joao p. guedes disse...

Interessante sua premissa Binho, mas, particularmente, eu creio que o conceito apresente-se mais susceptível à força do devenir, gerada pelo trabalho de eminência filosófica, se comparado ao preconceito, quando este, por sua vez, é resultante de um dogma de relevância moral. O conceito, enquanto produto do trabalho do filósofo, portanto, é regido pelo constante exercício dialético abstracionista, justamente com o objetivo de obter, assim, uma nova consistência em sua estrutura componencial, propondo sempre a superação do conceito precedente. Já o preconceito deriva-se de um valor material, fundado numa preferência, numa escolha subjetiva que se "prende" à natureza de determinada personalidade.

Att.

Katia Spagnol disse...

Temos duas verdades>>
Uma que vc encherga
E a que o outro encherga> podendo ser uma verdade impírica ou uma verdade lógica.
A verdade está nos olhos de quem vê ou de quem sente>
E neste mundo de oba oba cada um constrói a sua verdade...
Parafraseando Lispector > A verdade é uma pedra dura que precisa ser lapidada!

Besitos

(boob)

Anônimo disse...

Porque se briga tanto em comentários de blogs? Leia o poema, aprecie e pronto. Se não gostar enfia dois dedos no cú e rasga!