Pedregulho lamaceiro ribanceira
avalanche enxurrada terremoto
recessão represália carestia
atentado ultimato sabotagem
profissão passatempo moradia
contrabando emboscada cabotagem
propaganda internet consumismo
artepop tropicália woodstock
vaticano casabranca redeglobo
zelimeira chicoscience bobdylan
balaquente entrevero guerrafria
ditadura liberdade anistia
hepatites diabetes bulimia
clonagem erotismo vilania
política história economia
cada espécie nesse limbo se reverte
à mesma ordem que sempre se repete.
[j. guedes]
Este postadouro visa a se tornar um vergel de textos sobre impressões da realidade e viagens introspectivas com destino ao reconhecimento da interação do ser com o pensamento,além de exercitar a estética sensorial através de versos. As críticas e suplementos dos leitores são importantes para fertilizar o que se está "versemeando". Enfim, insta-se traduzir sensações para a linguagem textual.
domingo, 16 de maio de 2010
quinta-feira, 29 de abril de 2010
polaridade teleológica
Da aparência sobreveio a razão
Da repetência, a confirmação
Da latência, a afecção
Da indolência, a massificação
Da obediência germinou a escravidão
Da conveniência, a contradição
Da consciência, a revolução.
[j. guedes]
Da repetência, a confirmação
Da latência, a afecção
Da indolência, a massificação
Da obediência germinou a escravidão
Da conveniência, a contradição
Da consciência, a revolução.
[j. guedes]
terça-feira, 27 de abril de 2010
fim de semana
Fim de semana
Sinta-se pronto
Há liberdade
Menos desconto
É só o começo
Da madrugada
Não se preocupe
Ninguém vai pra casa
Nas horas mortas
Velo meu tédio
Cavo loucuras
De homem médio
Rasgo o sereno
Perco os atalhos
O que mais procuro
Me chega a retalhos
Na despedida
O sol me carrega
Na carne abatida
O sono me pega
Acordo mais tarde
Tão diferente
Do que fui ontem
Cansado e contente.
[j. guedes]
Sinta-se pronto
Há liberdade
Menos desconto
É só o começo
Da madrugada
Não se preocupe
Ninguém vai pra casa
Nas horas mortas
Velo meu tédio
Cavo loucuras
De homem médio
Rasgo o sereno
Perco os atalhos
O que mais procuro
Me chega a retalhos
Na despedida
O sol me carrega
Na carne abatida
O sono me pega
Acordo mais tarde
Tão diferente
Do que fui ontem
Cansado e contente.
[j. guedes]
domingo, 11 de abril de 2010
tão perto
Vou longe se for preciso
Sem saber o conteúdo
Do horizonte que acena
À altura dos olhos
Febris de sonhos
O coração se afeita
Com o seguir adiante
As estâncias são tantas
Aceito as surpresas
E me entrego descalço
Ao mundo lá fora
A cada manhã promete o arrebol
Tingir sua marca do tempo
Selando o estado de esperança
Atento a condições que refluem
O hausto da temeridade
Sentimentos decifram a vida
Com os passos gastos no chão
Mais do que na chegada
A felicidade se faz
Ao longo da estrada.
[j. guedes]
Sem saber o conteúdo
Do horizonte que acena
À altura dos olhos
Febris de sonhos
O coração se afeita
Com o seguir adiante
As estâncias são tantas
Aceito as surpresas
E me entrego descalço
Ao mundo lá fora
A cada manhã promete o arrebol
Tingir sua marca do tempo
Selando o estado de esperança
Atento a condições que refluem
O hausto da temeridade
Sentimentos decifram a vida
Com os passos gastos no chão
Mais do que na chegada
A felicidade se faz
Ao longo da estrada.
[j. guedes]
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
solapada democracia nacional
A 3ª edição do Plano Nacional de Direitos Humanos – PNDH-3 tem suscitado, recentemente, muita polêmica nos âmbitos político e jurídico, figurando uma retesada altercação derredor do instituto do regime democrático assegurado pela Constituição Federal da República Federativa do Brasil de 1988. O tratamento das matérias compreendidas naquele instrumento político, decretado em dezembro de 2009 (e modificado em janeiro de 2010), representa um passo avante a um padrão moral coerente com o modelo de democracia preceituado pela Carta Magna vigente.
Porém, diante da amplitude de matérias previstas no referido plano, interessa, neste abreviado escólio, abordar um ponto especial: a atribuição de competência à Comissão da Verdade para “promover a apuração das violações de direitos humanos praticadas no contexto da repressão política”. Tal encargo conferido, a priori, à Comissão de Verdade causou um alvoroço histérico por parte daqueles que patrulham a ideologia conservadora que entrava o desenvolvimento desse pobre país.
Incomodados com a aludida locução sintática prevista no plano, o discurso virulento da oposição (principalmente o do setor militar) ganhou força o bastante, capaz de cooptar o Presidente Lula para substituir instancialmente a expressão “repressão política” por “conflito político”. Essa alteração foi feita porque os militares temiam que a expressão “repressão política” autorizasse a Comissão de Verdade para investigar os órgãos repressivos da época, onde foram desencadeadas sistematicamente as torturas entre outros crimes de lesa-humanidade.
Além disso, a proposta de vigorar a expressão “conflito político”, dada pelos reacionários ao PNDH-3, deixa um ledo e movediço subterfúgio na tentativa de NIVELAR, com os militares torturadores e terroristas, os civis que combateram o quadro antidemocrático imposto ao longo do regime ditatorial instalado no Brasil. Todavia, é cediço que a Lei da Anistia (Lei nº. 6.683/1979) adveio para, obviamente, ANISTIAR esses civis acusados e condenados por crimes políticos. Ou seja, para esses sujeitos a supracitada lei determinou o perdão pelos crimes políticos supostamente praticados ou efetivamente cometidos. Em suma, todos aqueles civis permanecem cabalmente revestidos pelo benefício da anistia concedido pela referida lei.
Portanto, mostra-se redondamente inócuo o propósito da ala opositora ao PNDH de forçar um pareamento dos civis anistiados com os criminosos militares para fins de aplicação de sanções penais decorrentes de crimes políticos. Afinal, basta compulsar a lei supracitada para haurir a certificação de que a anistia foi concedida apenas àqueles que cometeram crimes políticos, cujo sujeito ativo (autor do fato típico penal) só pode ser civil; jamais, agente estatal em pleno exercício de sua função pública.
Enfim, esse troca-troca de termos no texto do PNDH-3 fez simplesmente um volteio danado para estacionar no mesmo lugar o discurso de outrora. Tudo isso para atrasar a consolidação de nossa tão almejada democracia. E a página sangrenta de nossa história continua aberta, cronicamente gangrenosa, aguardando a cicatrização pelas mãos da real justiça conferida à Comissão de Verdade.
[j. guedes]
* http://www.viomundo.com.br/denuncias/a-entrevista-do-ministro-vannuchi-a-globo.html
* http://direitoecultura.blogspot.com/2008/08/lei-da-anistia-e-crimes-de-lesa.html
Porém, diante da amplitude de matérias previstas no referido plano, interessa, neste abreviado escólio, abordar um ponto especial: a atribuição de competência à Comissão da Verdade para “promover a apuração das violações de direitos humanos praticadas no contexto da repressão política”. Tal encargo conferido, a priori, à Comissão de Verdade causou um alvoroço histérico por parte daqueles que patrulham a ideologia conservadora que entrava o desenvolvimento desse pobre país.
Incomodados com a aludida locução sintática prevista no plano, o discurso virulento da oposição (principalmente o do setor militar) ganhou força o bastante, capaz de cooptar o Presidente Lula para substituir instancialmente a expressão “repressão política” por “conflito político”. Essa alteração foi feita porque os militares temiam que a expressão “repressão política” autorizasse a Comissão de Verdade para investigar os órgãos repressivos da época, onde foram desencadeadas sistematicamente as torturas entre outros crimes de lesa-humanidade.
Além disso, a proposta de vigorar a expressão “conflito político”, dada pelos reacionários ao PNDH-3, deixa um ledo e movediço subterfúgio na tentativa de NIVELAR, com os militares torturadores e terroristas, os civis que combateram o quadro antidemocrático imposto ao longo do regime ditatorial instalado no Brasil. Todavia, é cediço que a Lei da Anistia (Lei nº. 6.683/1979) adveio para, obviamente, ANISTIAR esses civis acusados e condenados por crimes políticos. Ou seja, para esses sujeitos a supracitada lei determinou o perdão pelos crimes políticos supostamente praticados ou efetivamente cometidos. Em suma, todos aqueles civis permanecem cabalmente revestidos pelo benefício da anistia concedido pela referida lei.
Portanto, mostra-se redondamente inócuo o propósito da ala opositora ao PNDH de forçar um pareamento dos civis anistiados com os criminosos militares para fins de aplicação de sanções penais decorrentes de crimes políticos. Afinal, basta compulsar a lei supracitada para haurir a certificação de que a anistia foi concedida apenas àqueles que cometeram crimes políticos, cujo sujeito ativo (autor do fato típico penal) só pode ser civil; jamais, agente estatal em pleno exercício de sua função pública.
Enfim, esse troca-troca de termos no texto do PNDH-3 fez simplesmente um volteio danado para estacionar no mesmo lugar o discurso de outrora. Tudo isso para atrasar a consolidação de nossa tão almejada democracia. E a página sangrenta de nossa história continua aberta, cronicamente gangrenosa, aguardando a cicatrização pelas mãos da real justiça conferida à Comissão de Verdade.
[j. guedes]
* http://www.viomundo.com.br/denuncias/a-entrevista-do-ministro-vannuchi-a-globo.html
* http://direitoecultura.blogspot.com/2008/08/lei-da-anistia-e-crimes-de-lesa.html
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
a máquina de lavar roupa
A maquina de lavar roupa
Eu troquei numa gamela
Deixe quem quiser falar
Mamãe se dá bem com ela
Troquei a geladeira numa talha
Minha blusa de nylon num gibão
O meu filtro chinês por um purrão
Meu chapéu de baeta num de palha
Minha moto num burro de cangalha
O revolver numa baleadeira
O tapete importado numa esteira
Uma jarra vidrada por muringa
Meu wisk escocês eu dei por pinga
E a guitarra em viola de madeira
A lasanha gostosa do almoço
Eu consegui coragem pra trocar
Por buchada e carne pra assar
Vou comendo com bem menor esforço
Troquei kibe por carne de pescoço
Cocaína branquinha por rapé
O sapato caríssimo do meu pé
Troquei numa alpercata de rabicho
Faço isso com garra e com capricho
Ser feliz eu espero e tenho fé.
[Bule-Bule]
Eu troquei numa gamela
Deixe quem quiser falar
Mamãe se dá bem com ela
Troquei a geladeira numa talha
Minha blusa de nylon num gibão
O meu filtro chinês por um purrão
Meu chapéu de baeta num de palha
Minha moto num burro de cangalha
O revolver numa baleadeira
O tapete importado numa esteira
Uma jarra vidrada por muringa
Meu wisk escocês eu dei por pinga
E a guitarra em viola de madeira
A lasanha gostosa do almoço
Eu consegui coragem pra trocar
Por buchada e carne pra assar
Vou comendo com bem menor esforço
Troquei kibe por carne de pescoço
Cocaína branquinha por rapé
O sapato caríssimo do meu pé
Troquei numa alpercata de rabicho
Faço isso com garra e com capricho
Ser feliz eu espero e tenho fé.
[Bule-Bule]
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
Valsa Brilhante nº 1 ("Belinha")
Bela valsa, composta pelo violonista pernambucano Vital Joffily, dedicada à sua mulher.
domingo, 21 de fevereiro de 2010
foro íntimo
Fixou, o homem, em seu limite de conveniência,
a plenitude do benfazejo.
Nos olhos firmes para o traçado do futuro,
o lume da sobriedade
desacanhava-se ao exacerbo,
mas sem figurar um excesso,
senão um limiar de suficiência
ou um adendo indispensável
para assegurar o êxito
de cada passo desempenhado na busca
do próprio estado de completude.
Gravitava-se no compasso tardio,
o qual se punha a consolidar
a significação de uma angular
da dinâmica da esperança.
Importava o advento dessa premissa
como convite para se fiar no ritmo da espera.
Assim, regia-se pela organicidade do tempo.
Não, tempo não.
A invenção do tempo
já mostrava-se
de afastado convencimento
nos contornos da organização
de sua base ética.
Porém, compreendia, sentia e agia
em conformidade do momento primotriz;
resultava-se da pureza primária
do reflexo pulsante e orgânico
aos estímulos exógenos tanto quanto endógenos,
de que tornava-se necessária e variavelmente hostil.
Implicados a essa equação,
os lados da escolha potencializavam
sua condição de sujeito,
pois, assim se acondicionava
pela mera faculdade de decidir
e praticar sua vontade íntima.
A omissão e a comissão encerrar-se-lhe-iam
como pólos propínquos do arbítrio
calcado no orbe da incerteza
de seu fracasso ou de seu triunfo.
No entanto, arriscava-se
ao infinito do agora,
doloroso e irrefreavelmente fértil,
a semear, por fim, surpresas e desafios
para si e a tudo que se instala em sua volta.
[j. guedes]
a plenitude do benfazejo.
Nos olhos firmes para o traçado do futuro,
o lume da sobriedade
desacanhava-se ao exacerbo,
mas sem figurar um excesso,
senão um limiar de suficiência
ou um adendo indispensável
para assegurar o êxito
de cada passo desempenhado na busca
do próprio estado de completude.
Gravitava-se no compasso tardio,
o qual se punha a consolidar
a significação de uma angular
da dinâmica da esperança.
Importava o advento dessa premissa
como convite para se fiar no ritmo da espera.
Assim, regia-se pela organicidade do tempo.
Não, tempo não.
A invenção do tempo
já mostrava-se
de afastado convencimento
nos contornos da organização
de sua base ética.
Porém, compreendia, sentia e agia
em conformidade do momento primotriz;
resultava-se da pureza primária
do reflexo pulsante e orgânico
aos estímulos exógenos tanto quanto endógenos,
de que tornava-se necessária e variavelmente hostil.
Implicados a essa equação,
os lados da escolha potencializavam
sua condição de sujeito,
pois, assim se acondicionava
pela mera faculdade de decidir
e praticar sua vontade íntima.
A omissão e a comissão encerrar-se-lhe-iam
como pólos propínquos do arbítrio
calcado no orbe da incerteza
de seu fracasso ou de seu triunfo.
No entanto, arriscava-se
ao infinito do agora,
doloroso e irrefreavelmente fértil,
a semear, por fim, surpresas e desafios
para si e a tudo que se instala em sua volta.
[j. guedes]
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
socrático
Pode ser que, talvez, haja uma possível probabilidade
de eu ter a razoável certeza
de que nem tudo parece, ao certo,
ser como eu penso que seja,
porque eu imagino que nem tudo
que pareça ser às vezes é,
já que, salvo engano,
o que é nem sempre é possível
de ser como imagino que seja.
Isto é, a certeza do que posso entender
como certo aquilo que seja certo
é impossível de se saber,
pois há possibilidade de não ser,
de fato, uma certeza
o que eu esteja pensando
sobre o que quer que seja
possível de ser.
[j. guedes]
de eu ter a razoável certeza
de que nem tudo parece, ao certo,
ser como eu penso que seja,
porque eu imagino que nem tudo
que pareça ser às vezes é,
já que, salvo engano,
o que é nem sempre é possível
de ser como imagino que seja.
Isto é, a certeza do que posso entender
como certo aquilo que seja certo
é impossível de se saber,
pois há possibilidade de não ser,
de fato, uma certeza
o que eu esteja pensando
sobre o que quer que seja
possível de ser.
[j. guedes]
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
diverso
Raia esfuzidio o contentar de dentro do peito,
Cabe a fervura que brota e reflete teu jeito
De descerrar luminura num gesto afeito
A todo sentido contido no mundo de versos.
[j. guedes]
Cabe a fervura que brota e reflete teu jeito
De descerrar luminura num gesto afeito
A todo sentido contido no mundo de versos.
[j. guedes]
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
sobre a interculturalidade subjetiva
A presente dissertação é uma breve tentativa de desenvolver livremente sobre a interculturalidade subjetiva do autor que ora se empenha a discorrer, nas linhas em sequência, os fundamentos do tema em destaque. Inicialmente, convém abordar os elementos de extensão do tema proposto para, em seguida, traçar posicionamentos propriamente pessoais acerca das impressões que fundam o autor enquanto sujeito que partilha diferenças e signos comuns no plano cultural. Porém, cumpre ainda dizer nessa introdução que a dissertação a seguir foge à regra do método do discurso científico no sentido de faltar o rigor no tocante às referências das fontes bibliográficas, pelo fato de ser um texto elaborado livremente, valendo-se dos aspectos confluentes: o racional e o afetivo; e da reflexão baseada no senso particular do autor, embora impossível negar a intertextualidade das unidades conceptivas que compõem a dissertação.
O primeiro elemento de extensão a ser analisado concerne à subjetividade do autor, isto é à subjetividade do Eu, cuja noção ganha contorno ao se confrontar com o conceito de “o outro”, do diferente que, subsequentemente, nos remete ao problema da pluralidade de sujeitos. Há vários sujeitos porque há o outro, mesmo que esse outro tenha existência com a condição de um mundo possível, ou seja, de um mundo potencial existindo no mundo real, no mundo das sensações.
Nota-se que a simples possibilidade da diferença implica o reconhecimento daquilo que compõe a identidade do próprio Eu, de modo que a manifestação cultural consiste em uma via de expressão dessa identidade. A noção de sujeito, portanto, é resultado de uma inclinação codificadora da realidade, empregada pelos povos ocidentais para “batizar” as diferenças culturais existentes enquanto unidade de identificação de um povo.
O conceito de outro pode assumir um contorno coletivo, exprimindo a idéia generalizada de um povo, em contraste com a identidade cultural que corresponde à subjetividade, pois esta se manifesta mediante o aparato predominantemente idiossincrático, em razão da complexidade dos mecanismos de tensão e atração que ocorrem em razão do encontro entre diferentes culturas que afetam diretamente a pessoa portadora da própria subjetividade. O ser é invariavelmente cultural no sentido ontológico, mas, variável no sentido de como ele absorve e cria, com as próprias habilidades e limitações circunstanciais, as manifestações culturais em sua pluralidade no campo da experiência.
O sujeito, assim, é referido particularmente, em sua singularidade, dada a individualidade de perceber e refletir sobre o mundo, inclusive com potencialidade para questionar a cultura da qual faça parte ativamente.
Dos argumentos deslindados nas linhas acima, torna-se possível dessumir que a subjetividade dos indivíduos comunica-se com a moralidade. Mas, o padrão de moralidade sofre níveis de graduações a partir dos mesmos mecanismos de tensão e atração acima aludidos, os quais propiciam a anulação ou imposição de uma cultura pela outra ou a coadunação de uma cultura com outra.
A título de exemplo, na tentativa de ilustrar adequadamente a imposição de uma cultura pela outra, toma-se o histórico processo de expansão europeia, a partir do século XVI, o qual atingiu os povos extra-europeus por meio de uma sistemática de dominação e desencadeou o empobrecimento cultural dos povos afetados por conta da tensão entre a irrogação da cultura uniformizante e as reais diferenças de visão de mundo em conflito, representando uma violenta expugnação à diversidade cultural. No entanto, para a surpresa dos agentes impositores da cultura adventícia, houve um recôndito movimento de resistência dirigido pelo lema da libertação dos povos atingidos pela violência. Essa resistência configurou, em última análise, a permanência da tensão entre a cultura dominante e dominada, só que, desta vez, em direção da pluralidade cultural.
Visando a uma melhor precisão terminológica, seria cabível definir o resultado da imposição de uma cultura pela outra como transculturação. Daí, relevante o mecanismo de tensão ou repulsão entre as culturas em choque. Diferentemente, a interculturalidade consiste no processo de aproximação, de intercâmbio e incorporação de culturas distintas à matriz. Em termos concretos, a interculturalidade, em que pese as filtrações durante o processo de absorção e as devidas adaptações, é praticada largamente no aspecto gastronômico. Ou seja, o alimento está muito mais para objeto de prazer do que para objeto de poder. Talvez, essa argumentação viabilize entender a virtude de maior ocorrência e facilidade de adesão ao setor gastronômico entre as diferentes culturas.
Atualmente, a cultura casou-se com a indústria, dando aos rituais um real significado mercadológico. A propósito, esse é o sentido da globalização cultural: produzir e vender mercadorias que representem artigos de cultura. Em suma, a interculturalidade acontece facilmente nas lojas. Porém, de maneira geral, há um oficioso impedimento ao outro sujeito que faça parte de uma cultura distinta entrar nos limites fronteiriços daquela que apoderou de seus artigos de cultura. Ou seja, a interculturalidade tem mais fluidez com os artigos de cultura do que com os indivíduos, de modo a concluir que o chamado fenômeno da globalização é estritamente de caráter econômico, alijando o sentido de humanismo entre os povos.
No campo de minha subjetividade, a interculturalidade se processa calcada nas escolhas e nos interesses que atendam aos valores básicos de minha conduta, sem impor ao outro o que considero melhor, tampouco sujeitando-me a uma alienação cultural, mas, filtrando os traços culturais consentâneos aos princípios axiomáticos que me integram como sujeito pertencente a um povo.
Ao longo desse processo, insta sempre observar o princípio da ética e do respeito aos sujeitos que praticam e vivem culturas distintas, mas, que nem são piores nem melhores pelo fato de serem desiguais. Mas, a visão de mundo, seja pelo cientificismo, seja pela fé não significa em uma verdade absoluta. Enfim, estamos condicionados às nossas convicções.
Inevitavelmente, repetimos e criamos elementos de cultura para dar sentido à existência, pois, o ser humano, ao se questionar, esvazia-se das referências primárias e sente necessidade de sofisticar suas referências por tecnologias que perpassam pelo lúdico, arte, religião, política, mitologias, etc. e, pelo sortilégio da coerência resultante da criação circunstancial que explica o sentido de relação entre o eu e o mundo das sensações, transmite aos demais, pelos diversos meios semiológicos, o valor da diferença.
[j. guedes]
O primeiro elemento de extensão a ser analisado concerne à subjetividade do autor, isto é à subjetividade do Eu, cuja noção ganha contorno ao se confrontar com o conceito de “o outro”, do diferente que, subsequentemente, nos remete ao problema da pluralidade de sujeitos. Há vários sujeitos porque há o outro, mesmo que esse outro tenha existência com a condição de um mundo possível, ou seja, de um mundo potencial existindo no mundo real, no mundo das sensações.
Nota-se que a simples possibilidade da diferença implica o reconhecimento daquilo que compõe a identidade do próprio Eu, de modo que a manifestação cultural consiste em uma via de expressão dessa identidade. A noção de sujeito, portanto, é resultado de uma inclinação codificadora da realidade, empregada pelos povos ocidentais para “batizar” as diferenças culturais existentes enquanto unidade de identificação de um povo.
O conceito de outro pode assumir um contorno coletivo, exprimindo a idéia generalizada de um povo, em contraste com a identidade cultural que corresponde à subjetividade, pois esta se manifesta mediante o aparato predominantemente idiossincrático, em razão da complexidade dos mecanismos de tensão e atração que ocorrem em razão do encontro entre diferentes culturas que afetam diretamente a pessoa portadora da própria subjetividade. O ser é invariavelmente cultural no sentido ontológico, mas, variável no sentido de como ele absorve e cria, com as próprias habilidades e limitações circunstanciais, as manifestações culturais em sua pluralidade no campo da experiência.
O sujeito, assim, é referido particularmente, em sua singularidade, dada a individualidade de perceber e refletir sobre o mundo, inclusive com potencialidade para questionar a cultura da qual faça parte ativamente.
Dos argumentos deslindados nas linhas acima, torna-se possível dessumir que a subjetividade dos indivíduos comunica-se com a moralidade. Mas, o padrão de moralidade sofre níveis de graduações a partir dos mesmos mecanismos de tensão e atração acima aludidos, os quais propiciam a anulação ou imposição de uma cultura pela outra ou a coadunação de uma cultura com outra.
A título de exemplo, na tentativa de ilustrar adequadamente a imposição de uma cultura pela outra, toma-se o histórico processo de expansão europeia, a partir do século XVI, o qual atingiu os povos extra-europeus por meio de uma sistemática de dominação e desencadeou o empobrecimento cultural dos povos afetados por conta da tensão entre a irrogação da cultura uniformizante e as reais diferenças de visão de mundo em conflito, representando uma violenta expugnação à diversidade cultural. No entanto, para a surpresa dos agentes impositores da cultura adventícia, houve um recôndito movimento de resistência dirigido pelo lema da libertação dos povos atingidos pela violência. Essa resistência configurou, em última análise, a permanência da tensão entre a cultura dominante e dominada, só que, desta vez, em direção da pluralidade cultural.
Visando a uma melhor precisão terminológica, seria cabível definir o resultado da imposição de uma cultura pela outra como transculturação. Daí, relevante o mecanismo de tensão ou repulsão entre as culturas em choque. Diferentemente, a interculturalidade consiste no processo de aproximação, de intercâmbio e incorporação de culturas distintas à matriz. Em termos concretos, a interculturalidade, em que pese as filtrações durante o processo de absorção e as devidas adaptações, é praticada largamente no aspecto gastronômico. Ou seja, o alimento está muito mais para objeto de prazer do que para objeto de poder. Talvez, essa argumentação viabilize entender a virtude de maior ocorrência e facilidade de adesão ao setor gastronômico entre as diferentes culturas.
Atualmente, a cultura casou-se com a indústria, dando aos rituais um real significado mercadológico. A propósito, esse é o sentido da globalização cultural: produzir e vender mercadorias que representem artigos de cultura. Em suma, a interculturalidade acontece facilmente nas lojas. Porém, de maneira geral, há um oficioso impedimento ao outro sujeito que faça parte de uma cultura distinta entrar nos limites fronteiriços daquela que apoderou de seus artigos de cultura. Ou seja, a interculturalidade tem mais fluidez com os artigos de cultura do que com os indivíduos, de modo a concluir que o chamado fenômeno da globalização é estritamente de caráter econômico, alijando o sentido de humanismo entre os povos.
No campo de minha subjetividade, a interculturalidade se processa calcada nas escolhas e nos interesses que atendam aos valores básicos de minha conduta, sem impor ao outro o que considero melhor, tampouco sujeitando-me a uma alienação cultural, mas, filtrando os traços culturais consentâneos aos princípios axiomáticos que me integram como sujeito pertencente a um povo.
Ao longo desse processo, insta sempre observar o princípio da ética e do respeito aos sujeitos que praticam e vivem culturas distintas, mas, que nem são piores nem melhores pelo fato de serem desiguais. Mas, a visão de mundo, seja pelo cientificismo, seja pela fé não significa em uma verdade absoluta. Enfim, estamos condicionados às nossas convicções.
Inevitavelmente, repetimos e criamos elementos de cultura para dar sentido à existência, pois, o ser humano, ao se questionar, esvazia-se das referências primárias e sente necessidade de sofisticar suas referências por tecnologias que perpassam pelo lúdico, arte, religião, política, mitologias, etc. e, pelo sortilégio da coerência resultante da criação circunstancial que explica o sentido de relação entre o eu e o mundo das sensações, transmite aos demais, pelos diversos meios semiológicos, o valor da diferença.
[j. guedes]
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
alteridade anárquica
Tanta gente em todo lugar
Mas tão pouca para se encontrar
Numa tarde há quem dê "tchau"
Em muitas outras qualquer sinal é caro
Meu caro irmão
Malícias colonizam pensamentos
Degradam confianças por motivos banais
Prossegue cada lobo solitário
Confinando amores sem suspiros finais
O rogo pela sorte se repete
Mas a competência parece vã
Quando o desforço aparece
E aliena a paz ao Leviatã.
[j. guedes]
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